Cinema e Instagram: janelas análogas nas avaliações da jornalista Secy Braz

Nesses tempos de modernidade em que se vive, sobretudo, quando o nosso “sentido visual” sobre as coisas reverbera alucinante, tornando-se quase uma vertigem, um espanto doentio, a partir de um hábito de compartilhamento diário de informes e imagens, existem pessoas que não só fruem de tal fenômeno, até sob uma espécie de coerção do momento, mas procuram analisá-lo. Uma preocupação meritória, justamente daqueles que não se conformam em vivenciar o modernismo desses recursos midiáticos, apenas.

Aliás, uma adaptação crítica aos meios de comunicação, não menos, às atuais redes sociais, terá sido sempre um exercício dos mais inteligentes…

Mas, como deixar de assistir às inovações do mundo moderno, alimentadas por um tipo de “antropofagia” cultural – mídia versus mídia –, a exemplo das redes sociais e seus achaques (clichês, chiliques, bazófias sobretudo visuais através das selfies), sem que se possa refletir seriamente sobre o que elas de fato representam à nossa própria conduta social?

É possível que o nosso leitor indague: mas, o que esse assunto tem a ver com cinema, selo essencial desta coluna? Responderia, simplesmente, tudo!

À priori, justificando, tomaria como “palavras-chaves” expressões do tipo Instagram, exibicionismo, voyeurismo e imagem, as duas últimas que nos levariam imediatamente ao cinema. Precisamente, ao clássico filme de Alfred Hitchcock “Janela Indiscreta”, inspirado no conto de Cornell Woolrich dos anos 40, motivo desta nossa apreciação.

Não tecerei comentários críticos aprofundados sobre a obra do mestre do suspense, em si, até por ser ela sobejamente conhecida e que marcou sua época no cinema norte-americano. E por ser, inteligente e minunciosamente analisada, em um texto dissertativo aqui mencionado, sobre o qual fiz questão de deitar um olhar deveras criterioso, mas ao fato de “Janela Indiscreta” ter tudo a ver com os atuais questionamentos de uma jovem jornalista, Secyliana Amorim Cavalcanti Braz, que é oriunda dos nossos bancos acadêmicos da Universidade Federal da Paraíba.

Sua dissertação nos põe indagações curiosas sobre as relações que possam existir entre o sentido visual do “voyeurismo” atual, sobretudo no Instagram, e a “indiscreta” atitude do fotógrafo Jeff Jefferies, interpretado pelo ator James Stewart, com a bela Grace Kelly, no filme lançado em 1954. Uma analogia muito inteligente da colega pesquisadora, em razão das habituais intercomunicações livres de hoje.

Dentre muitos, um dos conceitos que atraíram a minha atenção no texto da insigne pesquisadora – sobre o qual tenho compreensão e fiz referências em minha defesa de tese, na Universidade de Brasília –, é o de que, conforme Secyliana, foco incontroverso de sua pesquisa, “no cinema existe uma relação de retroalimentação entre a imagem, a estética e a linguagem”. No meu entender, seja no ficcional ou mesmo no documental. Senão, jamais teria sentido algum a função do cinema, enquanto arte visual de movimento. Aliás, tema sobre o qual podemos retornar, oportunamente, ainda, a partir do texto da pesquisadora.

Ora, a compreensão de um mundo através da estética, segundo percebo, talvez não seja apenas um atributo particular do artista. E acrescento: mas, de todas as pessoas que possam se despojar da trivialidade da vida, deixando-se vagar pelo universo espiritual da fantasia, na busca de seus significados – reais ou virtuais, lógico.

Quiçá, seja esse o objetivo principal da jornalista Secyliana Amorim Cavalcanti Braz… Parabéns!

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